Falemos de dois sistemas de signos, de duas linguagens usadas no processo de construção cênica, será, pois o único modo de entender o que denominamos de tradução direta. Para isto denominemos aleatoriamente um sistema de original e o outro de negativo. Comecemos pelos sistemas mais evidentes, o texto escrito ou dramaturgia (original) e as ações que são desenvolvidas pelos atores, ações físicas (negativo). Não podemos chamar o segundo sistema de traduzido ou copia, pelo fato de que ambos os sistemas interagem constantemente no processo teatral. Devemos ter a capacidade de isolar os sistemas para o seu melhor entendimento, embora eles nunca estejam dissociados.
Quando existe uma idéia exposta textualmente na dramaturgia ou uma cadeia de idéias, traduzimos diretamente quando tentamos através de códigos físicos, expor as mesmas idéias organizadas na mesma seqüência dramaturgica. Se verbalmente falamos de prisão o sistema de signos agrupados pelo ator mostra uma prisão. Cada ator pode ter um sistema de signos codificado segundo a sua natureza, ainda assim a sua tradução é fiel ao sistema original.
Sistema Original = Sistema Negativo.
Vejamos outro exemplo.
O sistema de signos que compõe a Iluminação(Negativo) e o sistema de signos composto pela Trilha Sonora (Sistema Original). Ambos os sistemas parecem estar dissociados, mas pelo contrario, interagem na mesma medida quanto os sistemas mais simplificados ou evidentes. A música elaborada para uma determinada cena cria uma sensação de solidão ou encerro. O sistema negativo reagirá da mesma forma, fazendo uso dos recursos disponíveis para a sua tradução, aparece então um pino que amassa o ator visualmente com uma contraluz como foco fechado. Envolta deste desenho vemos uma cor tênue ocre, cor terracota, simulando a sensação de enterro ou desaparecimento. Pois então, ambos os sistemas estão sendo traduzidos simultaneamente através de uma Tradução Direta.
Este exercício poderá ser aplicado a todos os sistemas que compõem o artesanato teatral.